Trecho do Capítulo 11 de Estrela - Em Busca do Amor Eterno

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“haveria novamente manhã?”

O amor tinha a cor do luar. Prata. A doçura do anoitecer. Selena. Era ela que meu coração esperava. Apertei-a em meus braços, seu corpo estremeceu no meu calor. Beijei-lhe a fronte com ternura, sem saber o que dizer. Nossas almas caladas na descoberta do outro. O passado completando as lacunas do presente. Nossa história se encaixando, se juntando, se formando. Estávamos onde deveríamos.
Um trote de cavalos me chamou a atenção. Nossa paz não podia ser violada dessa maneira.

– O que é isso? – perguntou assustada Selena, sentando-se.

– Não sei. Melhor sairmos daqui.

Mas não deu tempo. A tropa invadiu a clareia – nossa clareira –, maculando-a para sempre. Olhos ferozes pousaram sobre nós, seminus, envergonhados e espantados.

– Cubram sua vergonha de nossos olhos santos – exigiu Ofélia ferozmente.

Posicionei-me na frente de Selena, agarrada ao seu manto e tentando se esconder de forma desajeitada.

– Quem ousa dar ordens à sua alteza, soberano de Áster? – rebati.

Uma gargalhada estrondosa se fez ouvir da ex-sacerdotisa ainda montada em seu cavalo e o grupo de homens e mulheres carrancudos a imitou.

– Ora, ora, vejam só, o príncipe do reino faz valer sua autoridade quando é pego em desonra – caçoou.

– Não houve desonra aqui.

– A lei é uma só, príncipe, para camponeses e para realeza. E sua alteza tocou em uma sacerdotisa.

Olhei para Selena, que mantinha o rosto vermelho baixado para o chão. Apertava o manto em um abraço, cobrindo seu corpo nu. Seus cabelos, soltos e alvoroçados, caíam como cascatas negras em seus ombros brancos. Estava tão bela, porém exposta demais e aquilo causava um reboliço dentro de mim.

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