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A violência contra a mulher como entretenimento?

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Precisamos falar sobre violência contra a mulher, e uma das melhores formas de se fazer isso é através da cultura. Hoje gostaria de analisar um gênero específico de entretenimento, tanto audiovisual quanto literário: o suspense. É um dos gêneros de maior audiência na atualidade, em diversos formatos, figurando também entre os livros mais vendidos do Brasil. Como leitora assídua desse gênero, sempre olhei para essas histórias como uma reprodução crua e nítida do pior que o ser humano pode fazer com outros seres humanos. Isso foi uma das coisas que sempre me fascinaram — e não me surpreenderam, evidentemente, porque há muito tempo deixei de ter uma visão embaçada e romantizada da humanidade. No geral, autores masculinos dessas histórias tendem a colocar as mulheres no papel de vítimas de diversos tipos de violência externa, causadas principalmente por homens próximos, fazendo um retrato bastante claro do que acontece na sociedade. Homens são, estatisticamente, a causa da violência soci...

A 'empresarização' da vida chega até a arte

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O empreendedor de si mesmo ganha corpo através das plataformas digitais de autogestão — inclusive na literatura Escrevi romances por 13 anos e travei. Faz três anos que não consigo escrever mais nenhum. Até comecei alguns, mas não consegui terminar. O que está afetando a minha criatividade é essa lógica empreendedora das redes sociais, que transforma pessoas em produtos. Demorei muito em reflexões e análises desse cenário individual — que é o reflexo de uma realidade presente em todos os lugares no Brasil — para, enfim, sentar e escrever este artigo. Meu sonho de adolescente era publicar e ser lida, e felizmente consegui realizar. Claro que as plataformas de autopublicação democratizaram o acesso aos leitores e criaram um mercado digital que segue em expansão. Eu não teria alcançado os leitores dos meus 30 livros se não fossem as plataformas. Dito isso, elas, aliadas às mídias sociais e à sua lógica de hiperexposição, também são geradoras de uma grande ansiedade, que me fez...

Por uma vida que valha a pena

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Nós temos a ilusão de que temos vida, mas, na verdade, só há trabalho. Nascemos dentro da lógica empresarial. Somos treinados para viver como em uma empresa, vinte e quatro horas por dia. Estudamos para nos tornar parte integrante dessa máquina de produção. Vivemos para fazer a engrenagem girar. Trabalhamos, recebemos nosso salário, compramos e fazemos tudo de novo, até morrer. No nascimento e na morte, produzimos trabalho. Nossa vida faz a roda da economia girar. Crescemos e nos casamos para criar a próxima geração de peças desse sistema. Não fomos nós que estabelecemos essas regras de relações comerciais entre humanos. Quando nascemos, já era assim. Fomos levados a pensar que sempre foi assim, desde que o mundo é mundo. Mas, na verdade, forças e interesses moldaram-no — e ainda o moldam hoje — para garantir sua hegemonia, para que funcione desta forma. As relações humanas são contratos. As pessoas só se entregam a alguém se houver algo em troca. Seja afeto, seja dinheiro — nada é de ...